
Oratória não é só para quem vai para o palco
A habilidade de se comunicar bem está presente em reuniões, entrevistas, negociações e até em conversas do dia a dia — e pode abrir portas na vida profissional e pessoal
Quando ouvimos a palavra “oratória”, é comum imaginarmos alguém em cima de um palco, diante de uma grande plateia, com um microfone na mão e um discurso perfeitamente ensaiado. Durante muito tempo, construímos a ideia de que aprender a falar bem era uma necessidade de palestrantes, professores, políticos, apresentadores ou profissionais que precisavam se expor publicamente.
Mas, se você parar para pensar, a oratória está presente na sua rotina e no seu dia a dia muito mais do que você imagina.
Na verdade, ela aparece quando a gente precisa apresentar uma ideia em uma reunião, participar de uma entrevista de emprego, liderar uma equipe, negociar com um cliente, negociar o próprio salário, vender um projeto ou até mesmo discordar de alguém e estabelecer limites. Em todas essas situações, você precisa conseguir falar com clareza para transmitir aquilo que pensa, sente ou precisa.
Por isso, desenvolver a sua oratória não significa apenas aprender a falar diante de muitas pessoas. Significa aprender a falar na frente de qualquer pessoa, independentemente do número de pessoas e da situação em que você esteja.
E essa competência tem impacto direto tanto na nossa vida profissional quanto na pessoal.
Quem sabe se comunicar amplia suas possibilidades
No mercado de trabalho, conhecimento técnico continua sendo fundamental, claro. Mas saber muito sobre alguma coisa não significa, necessariamente, que você vai conseguir se destacar e ser reconhecido por isso.
Na verdade, aquela máxima de que “não basta ser, tem que parecer ser” tem muito de verdade. Esse é o mundo real. Você pode ser muito bom no que faz, mas as pessoas precisam perceber que você é muito bom.
Quantas pessoas extremamente competentes você já conheceu, mas que têm dificuldade de vender uma ideia no ambiente de trabalho? Quantos profissionais deixam de contribuir em reuniões porque têm receio de falar e, por isso, acabam perdendo oportunidades? Quantas boas propostas não avançam simplesmente porque não foram apresentadas com clareza e as pessoas, no fim, não compraram aquela ideia?
A comunicação influencia diretamente a maneira como a nossa competência é percebida pelas outras pessoas. E é justamente por isso que ela permanece entre as habilidades mais valorizadas pelas empresas, não apenas onde você mora ou trabalha, mas no mundo inteiro.
Em um levantamento global do LinkedIn sobre as habilidades mais demandadas no mercado, a comunicação apareceu em primeiro lugar, à frente de competências como liderança, trabalho em equipe e resolução de problemas. O mesmo estudo apontou que nove em cada dez executivos consideravam as chamadas soft skills, as habilidades comportamentais, mais importantes do que nunca.
E é interessante perceber que isso acontece justamente no momento em que a inteligência artificial, a automação e as ferramentas digitais ocupam cada vez mais espaço no mercado de trabalho.
Porque o que estamos descobrindo é que, quanto mais a tecnologia avança, mais determinadas habilidades essencialmente humanas ganham valor. E as pessoas que souberem se comunicar, criar conexão, defender ideias, negociar, ouvir e se posicionar são justamente aquelas que terão mais condições de se diferenciar e ocupar espaço no mercado profissional.
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Comentários (2)
Ana Beatriz
Excelente reportagem. Precisamos de mais jornalismo assim na região.
Carlos M.
Acompanho o portal todos os dias. Parabéns pela apuração.


