Ser forte o tempo todo é o jeito mais fácil de adoecer em silêncio
Encontro promovido pela Ecoa Paz reforça vínculos, acolhimento e cuidado entre mulheres. Foto: Acervo Ecoa Paz.
Opinião

Ser forte o tempo todo é o jeito mais fácil de adoecer em silêncio

Quando sustentar tudo e todos vira uma exigência permanente, pedir ajuda e aceitar cuidado também são formas de força.

Ellen Patrícia Rodrigues Martini
Ellen Patrícia Rodrigues Martini

4 min de leitura

“Você é tão forte.” Quantas vezes ouvimos essa frase justamente quando, por dentro, tudo o que desejávamos era que alguém percebesse que não estávamos bem?

Existe uma força que, muitas vezes, é confundida com silêncio.

É a pessoa que resolve tudo, acolhe todo mundo, sustenta a família, a equipe, os filhos, os amigos… e continua funcionando, mesmo quando está emocionalmente exausta.

Por fora, parece forte. Por dentro, pode estar apenas cansada de precisar ser forte o tempo inteiro.

Nem toda pessoa que diz “está tudo bem” está bem.

É aqui que as Práticas Restaurativas nos ensinam algo essencial: antes de procurar respostas, precisamos criar espaços seguros para que as pessoas possam falar e, principalmente, ser escutadas.

Não apenas perguntar: “Qual é o problema?”

Mas também:

“O que está acontecendo com você?”

“O que você está precisando e não está conseguindo dizer?”

“Quem cuida de você enquanto você cuida de todos?”

Às vezes, o maior conflito não está entre duas pessoas. Está dentro de nós.

É a culpa por descansar. O medo de pedir ajuda. A necessidade de parecer bem. A dificuldade de dizer: “Hoje eu não consigo.”

Restaurar também é olhar para essas dores com responsabilidade e acolhimento.

Não significa voltar a ser quem éramos antes. Significa reconhecer o que está doendo e construir, com consciência, novos caminhos.

Talvez você não precise ser mais forte hoje. Talvez precise apenas ser honesta consigo mesma e permitir-se dizer:

“Eu estou cansada.”

“Eu preciso de ajuda.”

“Eu também preciso ser cuidada.”

Isso não diminui a sua força. Humaniza.

Na Ecoa Paz, acreditamos que cuidar dos conflitos também é cuidar das pessoas. E que a cultura da paz começa quando criamos relações onde ninguém precisa esconder a própria dor para ser considerado forte.

Porque, muitas vezes, por trás de uma pessoa que todos admiram pela sua força, existe alguém silenciosamente dizendo:

“Por favor, alguém cuide de mim também.”

Por Ellen Martini / Ecoa Paz

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#Ellen Martini#Ecoa Paz#Saúde mental#Práticas Restaurativas#Acolhimento#Bem-estar

Comentários (2)

  • Ana Beatriz

    Excelente reportagem. Precisamos de mais jornalismo assim na região.

  • Carlos M.

    Acompanho o portal todos os dias. Parabéns pela apuração.

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