Desmatamento na Amazônia sobe 12% em agosto, mesmo com queda acumulada de 31% no ano
Meio Ambiente

Desmatamento na Amazônia sobe 12% em agosto, mesmo com queda acumulada de 31% no ano

Dados do Deter/Inpe mostram alta pontual no bioma, enquanto o Cerrado registra queda de 19% no mesmo mês

Redação Amazônia Agora
Redação Amazônia Agora

5 min de leitura

Dados do sistema Deter, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, divulgados em 11 de setembro, mostraram que os alertas de desmatamento na Amazônia subiram 12% em agosto na comparação com o mesmo mês de 2025: de 319 km² para 358 km² de vegetação nativa perdida.

O movimento contrasta com o Cerrado, onde os alertas caíram 19% no mesmo mês, de 294 km² para 238 km². Juntos, os dois biomas somaram 596 km² sob alerta em agosto.

Apesar da alta pontual, o acumulado de janeiro a agosto de 2026 segue em queda na Amazônia: 2.041 km² desmatados, recuo de 31% frente ao mesmo período de 2025. No Cerrado, a redução acumulada no ano foi de 7%, com 3.810 km² perdidos.

Julho, agosto e setembro concentram historicamente a maior parte do desmatamento na Amazônia, por serem os meses mais secos, o que facilita a remoção da vegetação. O cenário coincide com a estiagem em curso no Amazonas.

No plano indígena, reportagem publicada em 5 de setembro, Dia da Amazônia, mostrou que terras indígenas seguem entre as áreas mais conservadas do bioma: segundo o Relatório Anual do Desmatamento do MapBiomas, apenas 1,7% de toda a perda de vegetação nativa do país ocorreu dentro desses territórios. Ainda assim, dados do TerraClass de 2022 apontam 952,3 mil hectares degradados em terras indígenas amazônicas, a maior parte por pastagens, além de 24,4 mil hectares usados para agricultura e 18,9 mil para mineração.

No plano internacional, o 12º Fórum Social Pan-Amazônico, realizado em Puyo, no Equador, entre 10 e 14 de setembro, reuniu mais de 2.500 participantes de nove países e declarou a Amazônia em estado de emergência, citando levantamentos científicos segundo os quais 18% do bioma já foi desmatado e outros 38% estão degradados.

Um estudo da Universidade Federal do Paraná, divulgado em 9 de setembro, cruzou dados de desmatamento na Amazônia com registros de chuva de 64 estações pluviométricas entre 2011 e 2023 e encontrou relação entre o avanço do desmate e a redução de chuvas no Rio Grande do Sul, fenômeno associado ao transporte de umidade pelos chamados rios voadores.

Dados verificados em 20 de setembro de 2026.

Fontes consultadas: Inpe, Folha de S.Paulo, Agência Brasil, MapBiomas, Amazon Watch e Brasil de Fato.

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#Desmatamento#Inpe#Deter#Amazônia#Terras Indígenas

Comentários (2)

  • Ana Beatriz

    Excelente reportagem. Precisamos de mais jornalismo assim na região.

  • Carlos M.

    Acompanho o portal todos os dias. Parabéns pela apuração.

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