
Rio Negro fica quase 4 metros abaixo do nível do ano passado e Amazonas soma 34 municípios em crise hídrica
Vazante acelerada leva sete cidades à situação de emergência; nível é o terceiro mais baixo para a data desde 2021
A vazante do Rio Negro manteve ritmo acelerado em Manaus. A régua do Porto de Manaus marcou 21,26 metros na sexta-feira (18), após queda de 18 centímetros em 24 horas, o que representa uma redução de 36 centímetros em dois dias.
Desde 9 de setembro, quando o rio estava em 22,84 metros, a perda acumulada chegou a 1,58 metro em nove dias. No início do mês, o recuo de 1,25 metro nos primeiros nove dias já indicava ritmo bem mais rápido que o de agosto, quando a queda média diária era de 5,8 centímetros, contra 13,8 centímetros em setembro.
Apesar da aceleração, a cota de 18 de setembro é a terceira menor para a data desde 2021, ficando acima apenas dos dois anos mais críticos recentes: em 18 de setembro de 2023 o rio estava em 19,36 metros e, na mesma data de 2024, ano da maior seca registrada em Manaus, o nível havia chegado a 15,53 metros.
O Serviço Geológico do Brasil, em boletim de 16 de setembro, classificou o cenário na maior parte da bacia amazônica como dentro do esperado para a época, com exceção da bacia do rio Branco, em Roraima, abaixo da média histórica. Na mesma data, além do Rio Negro em 21,76 metros em Manaus, outros pontos vazavam: Tabatinga com 2,38 metros, Manacapuru com 12,52 metros, Itacoatiara com 8,06 metros e Parintins com 3,64 metros.
O reflexo aparece nos municípios. Boletim da Operação Estiagem 2026, da Defesa Civil, divulgado em 9 de setembro, apontava sete cidades em situação de emergência: Atalaia do Norte, Benjamin Constant, Carauari, Eirunepé, Itamarati, Manacapuru e São Paulo de Olivença, além de 14 em alerta e 13 em atenção. Em 18 de setembro, o total de municípios sob algum grau de restrição chegava a 34.
Pesquisadores alertam para o médio prazo. Em evento realizado em 1º de setembro em Manaus, o gerente de Hidrologia do SGB, André Martinelli, afirmou que o El Niño estabelecido em 2026 deve perdurar até o primeiro trimestre de 2027, com chuvas abaixo da média, o que pode comprometer a recarga dos rios para o próximo ano.
Dados verificados em 20 de setembro de 2026. O nível dos rios muda diariamente.
Fontes consultadas: BNC Amazonas, g1 Amazonas, Serviço Geológico do Brasil, Defesa Civil do Amazonas e Portal Manaós.
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Comentários (2)
Ana Beatriz
Excelente reportagem. Precisamos de mais jornalismo assim na região.
Carlos M.
Acompanho o portal todos os dias. Parabéns pela apuração.



