
Vazante acelerada ameaça o abastecimento da Zona Franca, e píer emergencial é antecipado em Itacoatiara
Estrutura flutuante vai transferir cargas de navios para balsas enquanto rios caem até 32 cm por dia em trechos críticos
O grupo Chibatão iniciou em 17 de setembro o deslocamento de um píer provisório flutuante para Itacoatiara, no rio Amazonas, a 176 quilômetros de Manaus, como medida preventiva contra as restrições de navegação provocadas pela vazante.
A estrutura, já utilizada em 2024, será instalada em ponto estratégico da hidrovia para receber cargas de navios que não consigam seguir até Manaus. Os contêineres poderão ser transferidos para balsas e levados à capital, garantindo o abastecimento do Polo Industrial de Manaus, do comércio e de outros setores.
Segundo a empresa, o píer tem autorizações da Agência Nacional de Transportes Aquaviários, da Marinha do Brasil, da Receita Federal e do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas. A estrutura e os equipamentos passaram por manutenção e as equipes foram preparadas para retomar a operação quando necessário.
A antecipação ocorre em meio à aceleração da vazante em trechos críticos para a navegação. Dados atribuídos à Manaus Pilots e à Proa Manaus apontam que os níveis nas regiões de Tabocal e na enseada do rio Madeira estão caindo, em média, cerca de 32 centímetros por dia, patamar que limita a passagem de embarcações de maior calado.
Se a redução avançar, navios podem ter de diminuir a quantidade de contêineres transportados ou interromper a viagem antes do destino final. O setor produtivo acompanha com preocupação a chamada taxa da seca, sobretaxa cobrada em períodos de estiagem que encarece o transporte de insumos e produtos.
O episódio ocorre pouco mais de um mês depois de o Polo Industrial de Manaus registrar faturamento de R$ 121,76 bilhões no primeiro semestre de 2026, segundo a Suframa, o que reforça a dependência da logística fluvial para sustentar a produção industrial.
Dados verificados em 20 de setembro de 2026. O nível dos rios muda diariamente.
Fontes consultadas: BNC Amazonas, g1 Amazonas e Suframa.
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Comentários (2)
Ana Beatriz
Excelente reportagem. Precisamos de mais jornalismo assim na região.
Carlos M.
Acompanho o portal todos os dias. Parabéns pela apuração.



